22 de jan de 2013

O livro da vez: "Meu pai fala cada m*rda"

Como ja falei para vocês, ando num vício danado por livros. Desde que comecei a usar aquela tática das 10 páginas por dia, não parei mais, é um atrás do outro. Depois daquele livro que comentei aqui, já li vários outros, mas um dos que mais me chamou a atenção foi um chamado Meu pai fala cada m•rda, de Justin Halpern.

Não conheço o autor e nem tinha ouvido falar desse livro. O que me chamou a atenção foi o título. Já estava saindo da livraria quando vi a capa e me atraí pelo nome, um pouco diferente, né. Voltei e comprei. Se você for procura-lo hoje na livraria, vai encontrá-lo com um título diferente - Meu pai fala cada uma. Sem graça... Preferia o outro. É a tal da linguagem politicamente correta estragando as coisas de novo... Até parece que ninguém fala "merda" no dia a dia. (Eu, pelo menos, falo!)

Ele é curtinho (141 páginas) e super divertido, daqueles que você devora em 2 dias. Melhor ainda foi que eu li logo em seguida do Precisamos falar sobre o Kevin, que me deixou meio deprê. Então serviu para me animar um pouquinho.

A capa atual 
Justin Halpern é um jovem americano que, aos 28 anos, volta a morar com o pai, um médico aposentado, mal-humorado e sincero até demais. No livro, ele narra situações marcantes de sua vida, e conta que, quando criança, morria de medo do pai, mas depois de adulto passa a admirar sua franqueza. Cria uma página no Twitter para compartilhar as "sabias observações" que ouviu dele ao longo da vida. Em pouco tempo conquista milhões de seguidores, e é convidado para adaptar sua história para a TV, na série $#*! my dad says, que passou há pouco tempo no canal a cabo Warner Channel. (Não cheguei a assistir, mas me lembro da propaganda...). A série virou livro e ocupou o 1o. lugar na lista do The New York Times. Chique, não?

Justin e o pai, Sam Halpern
Algumas das pérolas de Sam Halpern (o pai):

Sobre mentir: "A pior coisa que você pode ser é mentiroso. Tá, tudo bem, a pior coisa que você pode ser é nazista, mas a segunda pior é mentiroso. Nazista, um; mentiroso, dois."

Sobre falar com estranhos: "Escuta aqui, se alguém está sendo gentil e você não sabe quem é essa pessoa, saia correndo. Ninguém é gentil sem mais nem menos e, se isso acontecer, a pessoa pode levar a porra da gentileza para outro lugar."

Sobre sentir-se `a vontade consigo mesmo: "A casa é minha. Uso roupas quando quiser e fico nu quando quiser. O fato de seus amigos estarem para chegar não tem nada a ver com isso - ou seja, estou cagando."

Sobre espírito esportivo: "Você arremessou muito bem no jogo, é s´rio. Estou orgulhoso de você. Infelizmente, seu time é fraco... Não, você não pode ficar com raiva das pessoas porque elas são fracas. A vida vai ficar com raiva delas, não se preocupe."

Sobre Legos: "Olha, não quero sufocar sua criatividade, mas aquele troço que você construiu ali parece um monte de bosta."

Sobre decidir usar pela primeira vez o desconto para terceira idade: "Merda, estou velho. Quero coisas grátis."

Sobre receber uma ligação de telemarketing: "Alô... Vá se foder."

Acho que já dá para ter uma idéia do que tem lá dentro, né. Gente, recomendo mesmo! Adorei e confesso que me inspirou para a vida. Acho até que foi por isso que gostei tanto. Morri de inveja dele, queria tanto ser um pouco assim, franca, direta, sem papas na língua. Me fez pensar que hoje em dia as pessoas são muito falsas, dissimuladas, e que não tem nada demais em ser um pouco sincero de vez em quando. A gente guarda tudo para não parecer sem-educação, mas na verdade estamos sendo falsos e acabamos ficando frustrados (e entalados!). É claro que não precisa ser igual a ele, né, mas um pouco até dá.


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